Nunca senti algo tão estranho em toda a minha vida. Estou sufocada nesse emaranhado de sentimentos confusos. Não estou feliz, não estou triste e nem sinto raiva. Nem mesmo depois dos insultos. Estou sentindo algo inédito: é a indiferença em seu mais alto grau. Tente imaginar todos os meus sentidos tentando dizer algo a uma pessoa "Não, as coisas não são da forma que você está enxergando agora", ou, "Não, isto não vai durar pra sempre. Tenho certeza que uma hora isso vai passar". E ao mesmo tempo que esses sentidos gritam dentro de mim tentando alertá-la, a razão, que tem me dominado, me segura pelos braços, aperta a mão na minha boca e diz "Fique aqui e cale a boca! Você não tem o direito de cansar este corpo que é meu e que será mais meu a cada dia que passa. Nada que você diga ou faça, neste momento, vai surtir o efeito esperado. Você nunca se cansa? Quando vai entender que tudo tem seu tempo?".
E assim, este ser primitivo que há em mim fica lutando aqui dentro. É desconfortável. Chego a sentir suas unhas arranhando minha garganta, posso sentir seus chutes no meu estômago e o grito histérico de alguém tentando se libertar. É esta agonia que eu estava sentindo ainda a pouco. Só que eu precisava escrever pra tentar me decifrar. Agora eu estou cansada! Sinto-me como se tivesse levado uma surra. Juro que já nem sinto mais raiva de pessoas teimosas, famosas "cabeça dura", ou que acham que sofrem mais do que todo mundo e que atribuem a sua infelicidade a alguém. Juro que quando a vi, ou melhor, ouvi o seu desespero, eu queria lhe contar tudo o que aprendi na vida levando muita porrada. Só que, provavelmente, pelo seu tom de voz, pelos insultos, ela acharia que é tudo muito cinismo, hipocrisia, babaquice. É o que eu chamo de "desonrar o meu nome". E ainda por cima absorveria 0,25% de tudo o que eu diria. Só que, as minhas palavras valem mais do que ouro. Tudo o que eu aprendi custou sangue. Está ouvindo, meu bem? Sangue.
Sei que estou ficando cada vez mais cética a tudo e todos. Quando vejo pessoas assim, tenho a sensação de dejavú. Sabe, é muito previsível. Mas isso não me inspira pena. Não mais. E se algum dia ela quiser me ouvir, acho que eu teria o prazer de lhe contar. Eu acho. Embora eu preferisse que ela aprendesse sozinha assim como eu não tive ninguém pra me ensinar.
Estou irritada porque ela me cansou. Estranho, não acha? Mas como eu disse, se alguem dia ela quiser me ouvir, vai ser no meu tempo. Se eu quiser porque eu também não sou obrigada a consolar e "proteger a quem me ofende". Mesmo que eu esteja vendo que esse alguém não tem a ninguém. Ela não sabe, mas o que ela pensa ser o veneno, na verdade é cura. Sim, minha flor, eu sou a sua cura. E você pode até estar me achando um tanto arrogante, tens todo o direito de pensar o que quiser de mim... Mas no momento eu preciso ouvir a razão.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Lâminas do tempo

O tempo tem passado cada vez mais rápido. Diante dos meus olhos vejo os anos se transformando em meses. Será verdade que o tempo se abrevia?
Estou com a sensação de perder. Ainda não sei bem o que é, só sei que transpiro.
De forma alguma eu queria que os anos... eu não quero que nada se prolongue nenhum segundo além do que tem que ser. Eu só gostaria de viver bem mais, dentro dos meus dias. E se diante dos meus olhos os anos se transformam em meses, toda a minha vida se transformou em segundos, instantes, flashes. Sei disso quando olho pra trás. E o que me vem a mente são momentos de extrema felicidade andando de mãos dadas com os meus traumas. Posso sentir o cheiro dos cabelos, o conforto do colo de mãe, ao mesmo tempo que sinto o nó na garganta quando me vem o gosto de terra e sangue. Mas não me lembro de nenhum momento bobo. Nada me vem que seja à toa.
Sinto que estou sendo roubada e não há nada que eu possa fazer. É que quanto mais eu corro, mais eu transpiro. E já não posso mais segurar o suor que me escapa entre os dedos. Hoje é dia quatro, quarta-feira e está fazendo muito calor. Mas aqui dentro tudo continua frio. E o frio é tanto que às vezes sinto lâminas me rasgando ao meio. E essas lâminas são tão avassaladoras que de tão infernais sinto tudo queimar por onde passam aqui dentro. E é só este calor que eu conheço.
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Falling
Hoje acordei cantando tudo que sonhei. Tive medo de repetir suas frases. Já não sei se o que cantava era meu. Já nem sei se o que corre em mim vem de você. Não ligue se o que digo não faz o menor sentido, é que eu preciso amar também o que não existe. Preciso encontrar aqueles olhos e dizer minhas frases ensaiadas. Culpa dos meus sentimentos mais intensos e livres querendo pertencer...
domingo, 1 de novembro de 2009
Prontofalei
Sabe aqueles carinhas que acham que TODOS SÃO OBRIGADOS a ouvir música com eles? E nem querem saber se é um forró bem ridículo, ou um funk bem vulgar? Então, esses dias voltando do trabalho, super cansada, ouvindo um rock pesado no meu mp4(só assim pra eu relaxar!!), quando sentou um carinha com a bermuda quase deixando aparecer as coisas e sem camisa. Ok, se fosse só fedorentinho eu ainda perdoava. Mas, DO NADA eu comecei a ouvir uns gritinhos, gemidinhos e umas palavras que nem a Bruna Surfistinha ousaria falar. Juro que não estava conseguindo me concentrar na distorção da guitarra que estava NO ÚLTIMO VOLUME DENTRO do meu ouvido. Eu olhei em volta de mim buscando apoio nos olhares dos outros passageiros e todos concordavam comigo fazendo cara de reprovação da atitude do tal carinha. Eu tentei ser sutil. Juro que tentei, mas ele não se mancava. Eu tirava os fones do meu ouvido e olhava bem na cara dele, mas ele fingia que nem estava me vendo. Chegou uma hora que eu não aguentei. Tirei os fones do meu ouvido, olhei bem nos olhos dele e disse:
-Cara, posso te fazer uma pergunta? Sabe, é que se eu não fizer eu não vou conseguir dormir hoje.
-Aham...
-Esses fones de celular, custam muito caro?
Ele todo sem graça começou a mexer no celular, assim, de cabeça baixa e disse:
-Não, nem é muito caro, é que eu perdi o meu...
-Sério, cara, vou até desligar meu mp4 pra ouvir a música com você, porque mesmo estando no último volume, eu não estou conseguindo me concentrar nas minhas músicas.
Tipo, geral no ônibus que estava perto ficou me olhando e prendendo o riso. Eu tenho certeza que todo mundo queria dizer aquilo pra ele, mas ninguém tinha cara-de-pau o suficiente. Depois que desocupou o banco do outro do ônibus, ele foi se sentar lá e ligou o som, mas bem baixinho dessa vez. Pô, o pior é que eu REALMENTE queria ouvir aquele pop, mas eu fui tão sarcástica com o coitado que quando eu falei sério ele não deve ter acreditado. Ah, meo... Azar.
-Cara, posso te fazer uma pergunta? Sabe, é que se eu não fizer eu não vou conseguir dormir hoje.
-Aham...
-Esses fones de celular, custam muito caro?
Ele todo sem graça começou a mexer no celular, assim, de cabeça baixa e disse:
-Não, nem é muito caro, é que eu perdi o meu...
-Sério, cara, vou até desligar meu mp4 pra ouvir a música com você, porque mesmo estando no último volume, eu não estou conseguindo me concentrar nas minhas músicas.
Tipo, geral no ônibus que estava perto ficou me olhando e prendendo o riso. Eu tenho certeza que todo mundo queria dizer aquilo pra ele, mas ninguém tinha cara-de-pau o suficiente. Depois que desocupou o banco do outro do ônibus, ele foi se sentar lá e ligou o som, mas bem baixinho dessa vez. Pô, o pior é que eu REALMENTE queria ouvir aquele pop, mas eu fui tão sarcástica com o coitado que quando eu falei sério ele não deve ter acreditado. Ah, meo... Azar.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Bella

Bella vivia presa no alto de uma torre. Sufocada, achava que era feliz porque não sabia que era triste. E todas as noites, olhando aqueles pontinhos de luz, ficava encantada se perguntando como seria voar e brilhar. As luzes dançavam pra ela, as luzes se viam nos olhos dela. As luzes sabiam como era lá fora, mas não podiam lhe contar. Ela precisava enxergar esses invisíveis sozinha, precisava desejar. Sempre se contentou só em vê-las, isto a deixava muito feliz. Este era um dos poucos momentos em que ele sorria. As luzes sabiam disto, mas ela mesma nem percebia. Mas aquele dia foi diferente. Então, naquele dia, um pontinho cor-de-rosa chegou bem perto quase ao alcance de suas mãos. E ela, totalmente entorpecida com sua beleza, num gesto displicente quase caiu pela janela tentando tocar. Mas aquela luz foi se afastando cada vez mais. Aquilo doeu. Frustrada e ainda trêmula pelo susto, ela pode sentir uma lágrima quente deslizando em seu rosto. Como pôde? Como pôde a sua única alegria escapar assim de suas mãos, lhe negando um simples toque? Por que se afastar assim se elas usavam seus olhos como espelho todos os dias?
O que ela não sabia é que a dor maior não era ela quem sentia. E depois de vê-la chorar e quase desvanecer... Depois de ver suas lágrimas secando e se transformando em uma bela máscara de sal, a Fada Madrinha decidiu que era hora de voltar, mas desta vez trazendo consigo um presente, o bem mais precioso que alguém pode ter. A Fada estendeu sua varinha e tocou na ponta do dedinho de Bella. Então algo mágico aconteceu! De repente, tudo em sua volta virou luz e começou a girar. Naquele instante ela perdeu totalmente a noção de sua existência, não sabia sequer dizer quanto durou. E quando tudo terminou, Bella se viu com um lindo vestido cravejado em diamantes e um belo par de asas! Bella levantou os olhos e deslumbrada não sabia bem como usar e tampouco para onde ir. Só sabia que precisava ir. O que ela não sabia era que a tão sonhada liberdade também era coisa que dói. E começou a voar! Correu de encontro ao vento e descobriu que existe um mundo bem diferente do que ela conhecia. Ela dançou, ouviu sons, viu cores que seus olhos jamais sonhariam algum dia. Cores nem tão fascianantes como as de suas iguais. Cores que não encantavam, cores que sujavam e, por um momento, chegou até pensar em voltar pro seu antigo lar. O amargo, mas, seguro lar. Mas no mesmo instante Bella lembrou do tanto que chorou pra conseguir chegar até lá e tratou logo de espantar esses fantasmas do mal. Não se sentia segura, não podia pousar, não podia descansar. Então, com suas asas sangrando e sua máscara de cores em sal, Bella começou a perceber que a liberdade por si só não era assim tão importante. E descobriu que segurança sem a liberdade também não valia de nada. Quando distraída já sem nem mesmo a dor sentir, Bella de longe vê uma flor. Será que ela suportaria seu peso? Será que seu caule quebraria e ela se veria caída com seus pés descalços no chão? Só de olhar não saberia. Mais do que se libertar, ela precisava escolher, precisava arriscar!Então, Bella, depois de tanto voar, já não sabia se aquele era o momento certo, mas também sabia que se esperasse muito, talvez o momento certo nunca fosse chegar. Mesmo assim, escolheu e sentiu aos poucos descarregar naquelas pétalas o peso da sua existência. O caule não quebrou. Agora Bella estava segura e descobriu que a felicidade estava na liberdade de poder escolher onde pousar.
(Meu primeiro conto!rs)
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terça-feira, 20 de outubro de 2009
Só um banho de arruda e sal grosso, sabe?...

Meeeuuuooo, nunca vi tanta coisa dando errado num dia só. Primeiro a banda teve um probleminha, tipo, de relacionamento, sabe? Trabalhar com pessoas é complicado assim mesmo, mais fácil é ser engenheiro e lhe dar com máquinas ou papéis: humanos são imprevisíveis. Estamos em crise, aliás, estávamos porque... Bom, isso eu vou dizer mais tarde. Eu tinha dito que o último ensaio não tinha sido láááá aquela coisa, mas também não era nada pra morte, pelo menos não pra mim. Mas acontece que as coisas não estavam muito harmoniosas e, em cima da hora, um componente decidiu não tocar. Mas, mesmo assim, nós estávamos no lugar e na hora marcada do tal show. Ficamos tentando convencer o tal componente não deixar geral na mão já que estava tudo marcado e com um monte de gente convidada. Não por mim, porque não tive tempo de convidar ninguém, mas o restante da galera sim, e blá, blá, blá, vamos direto ao assunto. Por fim, quando os garotos conseguiram convencer o carinha a vir tocar(digo os garotos porque eu não tenho muita paciência pra convencer a ninguém), quando ele finalmente resolveu tocar, a chuva começou a cair e o dono do estabelecimento cancelou o evento porque o lugar não tem cobertura. Beleza. Aproveitamos para bater uma DR, nossa primeira e última DR porque uma parte da banda resolveu que seria melhor ir cada um pro seu canto. Maaaaasssss, como eu sou uma garota beeeeeem motivada, eu tenho sempre um plano B, então já tenho trocentos músicos me dando mole doidinhos pra ver a coisa dando certo, como eu quero. Mó chato, queria muito que desse certo, mas nem sempre tudo é como a gente quer. Foi muito bom pela experiência, são todas sempre muito bem vindas. Apesar de que eu sempre digo que ninguém é experiente em coisa nenhuma porque somos diferentes e nada no mundo para de mudar. Mas viver é bom, viver coisas legais, conhecer pessoas legais, como eu conheci nesse período. Mas, como já dizia algum poeta: "o coração tem razões que a própria razão desconhece". Cada um sabe dos seus motivos... Ah, uma parte da banda foi comigo lá pro Tacada Certa jogar sinuca e espairecer a mente, já que nós não queríamos dormir cedo. E depois de apanhar bastante do Mancha(o guitarrista) na sinuca, Billy(o baixista) e eu decidimos que já era hora de irmos pra casa. Nós e o nosso azar. Billy foi me levar no ponto de ônibus quando um delinquente nos surpreendeu e levou o meu celular. Ele pode tentar levar qualquer coisa, mas duvido que consiga levar o meu humor. Nós rimos da situação. De verdade. Fechamos o diademerrrda com chave de ouro. Fazer o quê? Coitado, deve estar precisando mais do que eu. Um celular barato e todo flagelado, tadinho. Caiu no chão umas mil vezes, todo arranhado. Esse já é o segundo que me roubam, fora o que caiu no vaso e outros que tiveram um destino bem trágico. Sabe, a vida não quer que eu tenha um celular. Acho melhor prestar atenção nos sinais. hehe... É que da última vez que fiquei sem, foi um dos períodos em que tive mais paz na minha vida. Sério, consegui me afastar de um monte de gente que não estava me trazendo boas vibrações. Então, que eu perca todos os celulares!
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